PISA 2025: Brasil fica abaixo da OCDE em matemática, leitura e ciência

O Resultado PISA 2025 mostra que o Brasil permaneceu abaixo da média da OCDE em matemática, leitura e ciência. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, e indicam que o desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos seguiu estável em relação a 2022, mas em patamar inferior ao observado nos países da organização.

A edição de 2025 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes reuniu mais de 760 mil participantes em 91 países e economias, representando cerca de 33 milhões de jovens dessa faixa etária. Além das três áreas tradicionais, o levantamento trouxe informações sobre desigualdade educacional, uso de inteligência artificial, ambiente escolar, celulares e percepções dos alunos sobre questões ambientais.

Desempenho brasileiro segue estável, mas abaixo da média

As médias do Brasil em 2025 ficaram próximas das registradas desde 2015 em ciência, matemática e leitura. O quadro aponta estabilidade, mas sem aproximação da média dos países da OCDE.

Entre 2022 e 2025, cresceu no país a diferença de desempenho em matemática entre os 10% de estudantes com melhores notas e os 10% com piores resultados. Em leitura e ciência, essa distância não teve alteração estatisticamente significativa. Na comparação com 2015, a proporção de alunos com baixo desempenho ficou praticamente estável em matemática e leitura, enquanto caiu quatro pontos percentuais em ciência.

Matemática tem um dos resultados mais baixos

Em matemática, apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram ao menos o nível 2 de proficiência, considerado o patamar básico da avaliação. Na média da OCDE, esse percentual foi de 65%.

Nesse nível, o estudante consegue reconhecer como uma situação simples pode ser representada matematicamente, inclusive em tarefas como comparar distâncias entre trajetos ou converter preços. O levantamento também aponta que praticamente nenhum aluno brasileiro chegou aos níveis 5 ou 6, os mais avançados. Na média da OCDE, 8% atingiram esses níveis.

PISA 2025 (Imagem: IA)
PISA 2025 (Imagem: IA)

Leitura e ciência também ficam abaixo da OCDE

Em leitura, 49% dos estudantes brasileiros atingiram o nível 2 ou superior, enquanto a média dos países da OCDE foi de 69%. Isso significa que mais da metade dos jovens avaliados no Brasil não demonstrou as habilidades mínimas esperadas para compreender e interpretar textos de complexidade moderada.

Os participantes que alcançam esse nível conseguem identificar a ideia principal de um texto, localizar informações com base em critérios explícitos e refletir sobre a finalidade ou a forma do conteúdo quando orientados. Apenas 1% dos estudantes brasileiros chegou ao nível 5 ou superior em leitura, ante média de 6% na OCDE.

Ciência foi a área central do PISA 2025. No Brasil, 48% dos estudantes alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência científica, frente a 74% na média da OCDE. Nesse patamar, os alunos conseguem reconhecer explicações adequadas para fenômenos científicos conhecidos e avaliar, em situações simples, se uma conclusão é válida com base nos dados apresentados.

Somente 1% dos brasileiros chegou aos níveis 5 ou 6 em ciência, enquanto a média da OCDE foi de 7%. Nesses níveis mais altos, o estudante consegue aplicar conhecimentos científicos de forma autônoma e criativa, inclusive em contextos desconhecidos.

Desigualdade pesa no desempenho escolar

O levantamento aponta forte impacto da desigualdade socioeconômica nas notas. No Brasil, os 25% de estudantes com melhor condição socioeconômica superaram os 25% mais desfavorecidos em 96 pontos na avaliação de ciência. Essa diferença aumentou entre 2015 e 2025, ao mesmo tempo em que a distância média caiu na OCDE.

O nível socioeconômico explicou 16% da variação do desempenho brasileiro em ciência, acima da média de 12% observada nos países da organização. Além disso, 35% dos participantes brasileiros estavam entre os 25% mais desfavorecidos de toda a amostra internacional.

Mesmo nesse cenário, 10% dos estudantes brasileiros em desvantagem econômica ficaram entre os alunos com melhor desempenho científico dentro do país, grupo classificado como academicamente resiliente. Em avaliações educacionais, porém, resultados preliminares não encerram o processo individual: no Encceja, por exemplo, resultado individual sai em 14 de dezembro, com notas por área e redação.

Uso de IA e celulares entra no retrato das escolas

O PISA 2025 também mediu o uso de inteligência artificial na rotina de estudos. No Brasil, 48% dos estudantes disseram usar chatbots de IA para aprender pelo menos uma vez por semana, percentual ligeiramente acima da média de 46% da OCDE.

Entre os alunos brasileiros, 40% afirmaram utilizar IA para fazer pesquisas preliminares sobre novos assuntos, 31% para resumir textos e 27% para elaborar conteúdos de trabalhos escritos. Outros 11% disseram nunca ou quase nunca usar chatbots nas tarefas escolares analisadas pelo exame.

Sobre o ambiente de aprendizagem, 25% dos estudantes brasileiros relataram que colegas ficam frequentemente distraídos com dispositivos digitais durante a maioria ou todas as aulas de ciência. Entre esses alunos, o desempenho foi 19 pontos menor em ciência do que entre os que não relataram distrações, após ajuste pelo perfil socioeconômico dos estudantes e das escolas.

Em 2025, 81% dos alunos brasileiros estudavam em escolas nas quais celulares não eram permitidos nas dependências escolares. Em 2022, esse percentual era de 37%. Na média da OCDE, 49% dos estudantes frequentavam instituições com esse tipo de restrição.

Faltas às aulas e apoio dos professores

As faltas escolares chamam atenção no Brasil. Cerca de 55% dos estudantes disseram ter faltado pelo menos um dia nas duas semanas anteriores à aplicação do PISA 2025. Na média da OCDE, o índice foi de 22%.

Além disso, 53% informaram ter perdido ao menos uma aula no mesmo período, contra 24% na média da OCDE. Outros 44% disseram ter chegado atrasados à escola.

Ao mesmo tempo, o relatório mostra indicadores positivos de acompanhamento docente. No Brasil, 82% dos estudantes afirmaram que o professor demonstra interesse pelo aprendizado de todos durante a maioria das aulas de ciência, acima da média de 69% da OCDE.

Outros 78% disseram que o docente continua ensinando até que os estudantes compreendam o conteúdo, e 76% relataram receber ajuda adicional quando necessário. Por outro lado, 44% afirmaram que barulho e desordem prejudicam a maioria ou todas as aulas de ciência, percentual superior aos 31% registrados na média da OCDE.

Ciência ambiental e percepção dos estudantes

Na área de ciência ambiental, 49% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível básico de proficiência, abaixo dos 74% observados na média da OCDE.

Apesar disso, os participantes brasileiros demonstraram atitudes favoráveis à proteção ambiental. Entre eles, 84% acreditam que podem gerar impactos positivos no meio ambiente, 87% consideram que ações coletivas podem enfrentar problemas ambientais e 77% afirmam saber trabalhar com outras pessoas em iniciativas de preservação.

Além disso, 67% dos estudantes brasileiros disseram ter interesse em contribuir para a proteção ambiental em suas futuras profissões.

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