A redação do Enem 2026 é aplicada neste domingo, 8 de novembro, no primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio, organizado pelo Inep. Para muitos candidatos, a principal dificuldade está em dar início ao texto dentro do tempo de prova, sem fugir ao tema e respeitando as exigências da avaliação.
A produção textual do exame exige um texto dissertativo-argumentativo, com até 30 linhas, sobre um tema de relevância social, científica, cultural ou política. A proposta é apresentada com textos motivadores, e o participante precisa compreender o recorte do enunciado, definir uma tese, desenvolver argumentos e apresentar uma proposta de intervenção.
Neste domingo, além da redação, os participantes respondem a 90 questões objetivas de Linguagens e Ciências Humanas. A aplicação regular começa às 13h30 e termina às 19h, no horário de Brasília. O segundo dia de prova está marcado para 15 de novembro.
Começar bem a redação do Enem 2026 não significa abrir o texto com uma frase de efeito ou com uma citação decorada. A introdução precisa, прежде de tudo, apresentar o problema proposto, contextualizar o assunto e indicar qual posicionamento será desenvolvido ao longo dos parágrafos seguintes.
Uma introdução eficiente pode ser construída com linguagem direta e objetiva. O candidato pode iniciar a redação por uma informação histórica, uma referência legislativa ou uma situação social relacionada ao tema, desde que isso ajude a delimitar o assunto e a tese.
Também não existe obrigação de começar com repertório externo. Uma abertura clara, que apresente o problema e antecipe os eixos de argumentação, já atende à função do primeiro parágrafo. O ponto central é mostrar que o participante compreendeu o que a banca está pedindo.
Na prática, a introdução costuma reunir três elementos centrais:
Isso significa que o estudante precisa ir além do assunto geral e identificar o recorte específico cobrado na proposta. Uma redação sobre tecnologia, por exemplo, não pode tratar o tema de forma ampla se o enunciado exigir discussão sobre um público, um direito ou uma dificuldade determinada.
Esse cuidado é importante porque a Competência 2 avalia justamente a capacidade de compreender a proposta e desenvolver o tema dentro da estrutura dissertativo-argumentativa. Reconhecer apenas o assunto geral, sem enfrentar o problema central do enunciado, pode comprometer a nota.
Antes de escrever a versão definitiva, o candidato pode usar alguns minutos para planejar o texto. A orientação prática é identificar palavras-chave do enunciado, separar possíveis causas e consequências do problema e definir quais argumentos serão usados no desenvolvimento.
Esse planejamento ajuda a evitar introduções vagas, que poderiam servir para vários temas diferentes. Também reduz o risco de repetição de ideias nos parágrafos seguintes e facilita a construção de uma conclusão coerente com o que foi defendido.
Na redação do Enem, texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas exige organização desde o início. Por isso, iniciar sem saber qual tese será defendida ou quais argumentos sustentarão o ponto de vista pode dificultar a progressão do texto.
Uma das formas mais usadas pelos candidatos é organizar a redação em quatro parágrafos: introdução, primeiro desenvolvimento, segundo desenvolvimento e conclusão. Esse formato não é uma exigência do Inep, mas funciona como estratégia para distribuir a argumentação dentro do limite de linhas.
No primeiro parágrafo, o candidato apresenta o tema e a tese. No segundo, desenvolve um dos argumentos centrais. No terceiro, aborda outro aspecto do problema, sem repetir a mesma ideia. No quarto, retoma a discussão e apresenta a proposta de intervenção.
Para quem tem dificuldade em começar, esse esquema pode facilitar a montagem do texto. Ao definir ainda no rascunho quais serão os dois argumentos principais, o participante consegue escrever uma introdução mais objetiva e conectada ao restante da redação.
Alguns erros frequentes podem prejudicar o início da redação. Um deles é usar afirmações amplas demais, que não ajudam a delimitar o problema. Outro é inserir citações genéricas sem relação efetiva com o tema.
A Cartilha do Participante alerta para o uso automático de repertórios memorizados, frequentemente chamados de repertório de bolso. Nesses casos, a referência aparece sem função argumentativa real e não contribui para a defesa da tese.
Também é preciso evitar informações inventadas, atribuições duvidosas e frases que tentem impressionar pelo vocabulário, mas não avancem na discussão. Clareza e precisão tendem a ser mais úteis do que construções excessivamente longas ou artificiais.
O repertório sociocultural pode aparecer já no primeiro parágrafo, desde que ajude a contextualizar o tema. Referências históricas, legislação, conceitos científicos, obras literárias e produções cinematográficas podem ser utilizadas quando forem pertinentes ao problema apresentado.
Entre as referências possíveis citadas nas orientações do exame estão a Constituição Federal de 1988, em debates sobre direitos sociais, educação, saúde e proteção ambiental; o Estatuto da Criança e do Adolescente, em discussões sobre infância e adolescência; e a Lei Brasileira de Inclusão, em temas relacionados a acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência.
O mais importante é que a referência não apareça como enfeite. Ela precisa ser explicada e relacionada ao argumento. Quando isso não acontece, o repertório perde força e pode até tornar a introdução mais confusa.
Uma das dúvidas mais comuns entre os candidatos é se vale a pena preparar introduções prontas com base em possíveis assuntos. O cuidado, nesse caso, é que o tema oficial só é revelado no momento da aplicação. Até a abertura do caderno, tema da redação só será conhecido na prova.
Nas horas que antecederam o exame, circularam hipóteses envolvendo inteligência artificial, proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, desafios ambientais, saúde mental, inclusão de pessoas com deficiência, neurodiversidade, desigualdades sociais, leitura, trabalho, segurança digital e plataformas digitais. Essas possibilidades, porém, não equivalem à confirmação do tema.
Por isso, a estratégia mais segura é dominar a estrutura da redação e treinar a leitura do enunciado, em vez de decorar um texto pronto para tentar encaixá-lo em qualquer proposta.
A correção da redação do Enem 2026 considera cinco competências, com pontuação de zero a 200 pontos em cada uma. A nota máxima é de 1.000 pontos.
As competências avaliam:
Isso mostra que começar bem a redação é importante, mas não basta. A introdução precisa dialogar com os desenvolvimentos e com a conclusão, formando um texto coeso e articulado.
Conhecer as situações que levam à nota zero também ajuda a orientar a escrita desde o início. Entre os casos previstos estão fuga ao tema, descumprimento da estrutura dissertativo-argumentativa e texto com até sete linhas manuscritas.
Também podem zerar a redação produções com identificação no espaço destinado ao texto, mensagens deliberadamente desconectadas do tema, impropérios, desenhos, anulação intencional, predominância de língua estrangeira e ilegibilidade que impeça a leitura pelos avaliadores.
Outro ponto importante é que linhas copiadas dos textos motivadores ou do caderno de questões são desconsideradas na contagem de linhas válidas. Por isso, reproduzir trechos da proposta não substitui a elaboração autoral do texto.
A produção da redação acontece no mesmo período em que o candidato responde às 90 questões objetivas do primeiro dia. Não existe determinação oficial sobre quantos minutos devem ser dedicados ao texto, e a escolha depende da estratégia individual.
Alguns participantes preferem começar pela redação. Outros optam por ler a proposta, planejar a estrutura e resolver parte das questões antes de escrever. Em qualquer caso, o cuidado principal é reservar tempo para planejar, redigir, revisar e transcrever o texto para a folha definitiva.
A folha de rascunho não substitui a folha oficial de redação, que é o documento considerado na correção. Neste domingo, a aplicação regular do primeiro dia do Enem 2026 termina às 19h, no horário de Brasília.