A Festa de Iemanjá 2026 já tem programação oficial confirmada e deve, mais uma vez, reunir milhares de pessoas no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Considerada uma das maiores manifestações religiosas e culturais da Bahia, a celebração movimenta a cidade com rituais afro-religiosos, cortejos, oferendas e uma extensa agenda de eventos paralelos.
As homenagens acontecem oficialmente na próxima segunda-feira, 2 de fevereiro, mas as atividades começam ainda no domingo, dia 1º de fevereiro, quando ocorre a tradicional entrega do presente de Oxum. O ritual marca a abertura espiritual da festa e antecede o grande dia dedicado à Rainha do Mar.
O cronograma foi divulgado pela Colônia de Pescadores Z1, responsável pela organização dos ritos religiosos e pela condução das entregas das oferendas. Em 2026, a celebração adota o tema “Yemanjá: a Mãe que Ilumina a todos nós!”, reforçando o simbolismo espiritual e a dimensão coletiva da festa.
A programação religiosa da Festa de Iemanjá tem início na noite do domingo, 1º de fevereiro, com a entrega do presente de Oxum, orixá das águas doces. O ritual é considerado fundamental para a abertura dos caminhos espirituais e para a preparação das homenagens à Iemanjá.
O cortejo reúne integrantes do Terreiro Olufanjá, devotos, pescadores e membros da comunidade, em um percurso que simboliza a conexão entre rios, lagoas e o mar, elemento central das religiões de matriz africana.
O ponto alto da Festa de Iemanjá acontece na madrugada da segunda-feira, 2 de fevereiro, com a entrega do presente principal dedicado à Rainha do Mar. O ritual mobiliza pescadores, lideranças religiosas e milhares de fiéis que acompanham a cerimônia desde as primeiras horas do dia.
A saída do presente ocorre a partir do galpão da Colônia de Pescadores Z1, no Rio Vermelho, e segue até a Praia de Santana, onde se concentram as homenagens e as oferendas.
A condução do presente até a embarcação é realizada pelos pescadores da Colônia Z1, acompanhados por Mãe Nicinha de Nanã, ialorixá do Terreiro Olufanjá. O ritual encerra-se com o depósito do balaio no ponto tradicional do mar.
Desde a manhã do domingo até a tarde da segunda-feira, os pescadores organizam a Casa de Iemanjá e o Barracão, espaços destinados à recepção da imagem principal e dos balaios com oferendas.
Além da organização dos espaços, os pescadores são responsáveis por orientar filas, receber flores, perfumes e presentes, além de garantir a condução segura das oferendas até o mar.
A Festa de Iemanjá tem origem nos cultos trazidos ao Brasil por povos africanos, especialmente de matriz iorubá, durante o período da diáspora africana. Inicialmente, as celebrações estavam ligadas às divindades das águas doces e não possuíam data fixa.
Com o tempo, especialmente em Salvador, a devoção passou a se concentrar no dia 2 de fevereiro, quando pescadores do Rio Vermelho começaram a oferecer presentes à divindade em busca de fartura e proteção no mar.
No campo simbólico, Iemanjá representa as águas salgadas, a maternidade, a proteção e a geração da vida. Já Oxum, associada às águas doces, simboliza amor, fertilidade, prosperidade e equilíbrio emocional, razão pela qual seu presente antecede as homenagens à Rainha do Mar.
Além dos rituais religiosos, a Festa de Iemanjá 2026 movimenta Salvador com uma extensa programação cultural, reunindo festas públicas e privadas, shows e encontros musicais.
As atividades acontecem em diferentes pontos do Rio Vermelho e atraem públicos variados ao longo do fim de semana e do feriado religioso.
Para atender ao grande fluxo de pessoas durante o fim de semana e no dia da Festa de Iemanjá, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) montou um esquema especial de transporte e ordenamento urbano.
O plano inclui reforço no transporte público, ampliação da frota reguladora, operação estendida do BRT Salvador e apoio de táxis e mototáxis.