A 37ª edição do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga começa nesta sexta-feira, 24 de julho, em Juiz de Fora, com programação gratuita em diferentes espaços culturais da cidade. Promovido pela Pró-Reitoria de Cultura (Procult) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o evento segue até 1º de agosto e abre com o Quinteto Macam, às 19h, no Teatro Paschoal Carlos Magno.
Aberto ao público, o festival reúne artistas brasileiros e internacionais em concertos que percorrem repertórios da música medieval ao período clássico, além da música colonial brasileira. Nesta edição, a programação também presta homenagem aos 200 anos da morte de Joaquina Lapinha, cantora lírica mineira considerada a primeira brasileira a se apresentar profissionalmente na Europa e a primeira mulher negra a integrar o elenco do Teatro de São Carlos, em Lisboa.
A programação será distribuída entre o Teatro Paschoal Carlos Magno, o Cine-Theatro Central e a Capela Sagrada Família, no Colégio Academia. Os locais concentram a maior parte dos concertos e ajudam a desenhar o percurso do festival pela cidade, com apresentações em espaços tradicionais da cena cultural de Juiz de Fora.
Segundo a organização, a proposta é mostrar diferentes períodos da história da música, com destaque para formações de câmara, recitais e concertos que dialogam com repertórios históricos. A presença de artistas de distintas gerações e vertentes amplia o alcance do evento, que se consolidou como um dos mais tradicionais do país dedicados à música antiga.
O tema central da 37ª edição é Joaquina Lapinha, nome ligado à história da música brasileira e da presença negra nos palcos europeus no período colonial e imperial. A homenagem marca o bicentenário de sua morte e recupera a trajetória da artista em um momento de restrições sociais e raciais para mulheres negras.
O concerto “Tributo à Joaquina Lapinha no bicentenário de seu falecimento” está marcado para sábado, 25 de julho, às 20h, no Cine-Theatro Central. A apresentação reúne a Metamorphosis Companhia de Arte Barroca e a soprano mineira Núbia Eunice, com obras de Giovanni Paisiello, Marcos Portugal e José Maurício Nunes Garcia, entre outros compositores associados ao repertório da época.
A abertura do festival, com o Quinteto Macam, traz obras de Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven em uma formação com piano, oboé, clarineta, fagote e trompa. No domingo, 26 de julho, às 11h, o Piano Duo Casara-Lemos se apresenta no Teatro Paschoal Carlos Magno com um programa para piano a quatro mãos que aproxima tradição europeia e música brasileira.
Na segunda-feira, 27 de julho, às 20h, o mesmo teatro recebe “Conversas com Bach”, com o violinista italiano Emmanuele Baldini e o pianista, compositor e arranjador André Mehmari. O concerto propõe um diálogo entre a obra de Johann Sebastian Bach e a improvisação, em uma leitura que conecta linguagens musicais distintas.
Na terça-feira, 28 de julho, o Conjunto Atempo apresenta “Quattrocento” no Cine-Theatro Central, com repertório de música medieval e um conjunto de instrumentos históricos reunidos para recriar o ambiente musical das cortes do século XV. A proposta amplia o recorte histórico do festival e leva ao público um repertório anterior à chegada dos portugueses ao Brasil.
O calendário também inclui o Trio Madeira Brasil, na quarta-feira, 29 de julho, e a apresentação de Maria Claudia Mendes e Marcos Mendes, na quinta-feira, 31 de julho. Os dois concertos acontecem no Cine-Theatro Central e incorporam referências do choro, do samba e de diferentes paisagens musicais brasileiras.
Na sexta-feira, 30 de julho, a Camerata Lieto apresenta “Afetos Barrocos” na Capela Sagrada Família, no Colégio Academia. O encerramento, em 1º de agosto, será com a USP Filarmônica, também no Cine-Theatro Central, em um concerto que reúne nomes da música popular brasileira e obras de compositores como Johann Christian Bach, Joseph Haydn, Händel, Stölzel e Pergolesi.
A programação completa inclui concertos em sequência entre sexta-feira e sábado, com atrações que cruzam música antiga, barroca, clássica e repertórios brasileiros. O festival é promovido pela Procult/UFJF e integra a agenda cultural de Juiz de Fora com foco em música de concerto e formação histórica do repertório.