Quem vai prestar o vestibular da Unicamp pode se orientar pelas diretrizes da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) para entender como funciona a correção da prova de redação. A avaliação considera proposta temática, gênero textual, leitura dos textos da prova e convenções da escrita e coesão, além de prever situações em que o texto pode ser anulado e receber nota zero.
A Redação da Unicamp exige atenção ao enunciado, ao formato pedido e ao uso dos materiais apresentados na prova. Pelas diretrizes, não basta escrever sobre o assunto de forma ampla: a banca observa se o candidato cumpre a tarefa proposta, desenvolve o gênero solicitado, interpreta adequadamente os textos de apoio e organiza a escrita com coesão.
As diretrizes da Comvest dividem a avaliação em dois conjuntos. Em gênero e leitura, entram proposta temática, gênero textual e leitura dos textos fornecidos na prova. Em gênero e escrita, a banca avalia convenções da escrita e coesão.
A proposta temática vale de 0 a 2 pontos. Gênero textual e leitura dos textos recebem, cada um, de 0 a 3 pontos. Já convenções da escrita e coesão são avaliadas de 1 a 4 pontos. O detalhamento do cumprimento da proposta temática depende da prova aplicada.
Na prática, a correção leva em conta tanto o atendimento às instruções quanto a forma como o candidato constrói seu projeto de texto. Esse modelo difere de exames em que a proposta de intervenção deve trazer ação explícita, porque a Unicamp organiza a nota a partir do cumprimento da proposta, do gênero e da leitura dos materiais da prova.
No critério proposta temática, a Comvest verifica se o candidato fez exatamente o que foi solicitado. A grade distingue o cumprimento pleno, o cumprimento parcial e o não cumprimento da proposta.
Isso significa que identificar o recorte do tema e as tarefas exigidas no enunciado é parte central da prova. Um texto pode tratar do assunto de forma genérica e, ainda assim, perder pontos se não atender ao comando específico apresentado na proposta.
O gênero textual é avaliado para além do nome do formato pedido. As diretrizes consideram a construção composicional do gênero, a situação de produção indicada no enunciado e a interlocução exigida.
Na correção, a banca observa elementos como quem escreve, para quem escreve, em que situação e com qual finalidade. Na faixa mais alta, o texto desenvolve bem o gênero, explora sua estrutura característica e configura de modo adequado a situação de produção e os interlocutores.
Um candidato pode perder pontos quando o texto apresenta falhas nessa construção ou deixa de estabelecer aspectos importantes da situação comunicativa, mesmo que trate do tema solicitado.
Os textos apresentados na proposta também entram diretamente na avaliação. A Comvest observa se o candidato compreendeu esse material e se conseguiu utilizá-lo de modo coerente com o próprio projeto de texto.
A pontuação mais alta nesse critério corresponde a uma leitura crítica, com apropriação produtiva dos textos, compreensão global, inferências e ausência de erros de leitura. Já leituras superficiais, erros que prejudiquem o desenvolvimento da redação e o uso dos textos sem relação clara com a proposta reduzem a nota.
As diretrizes classificam como uso insuficiente fazer apenas menções ao material, produzir simples paráfrases, restringir-se a cópias ou deixar de utilizar os textos da prova. Em outras palavras, usar os textos de apoio não significa reproduzi-los, mas mobilizar suas informações de forma pertinente. Em discussões nacionais sobre avaliação, inclusive quando o formato atual será mantido no Enem 2026, a exigência de leitura articulada aos comandos da prova segue como um ponto central.
No critério convenções da escrita e coesão, a banca examina escolhas de palavras, construções sintáticas e recursos usados para articular as partes do texto. A faixa mais alta da grade descreve escolhas lexicais ou sintáticas produtivas e recursos coesivos produtivos para a redação, admitindo erros eventuais.
As diretrizes também distinguem escolhas adequadas, simples e inadequadas, sempre considerando o efeito dessas decisões no conjunto do texto. Erros variados ou recorrentes, problemas na articulação das ideias e a predominância de paráfrases dos textos da prova aparecem nos níveis inferiores da avaliação.
Com isso, a correção não se limita à contagem de desvios pontuais. O que pesa é o funcionamento global da escrita e a capacidade de sustentar uma progressão clara das ideias.
A Comvest prevê anulação da redação, com nota zero, em três situações expressas nas diretrizes:
Esses casos mostram que a nota zero não depende apenas de desvios gramaticais. Um texto pode ser anulado por fugir do tema, desrespeitar o gênero exigido ou reproduzir em excesso o material fornecido pela banca.
Na preparação para a Redação da Unicamp, as diretrizes podem servir como roteiro de leitura e revisão. Antes de escrever, o candidato pode identificar o tema e seu recorte, o gênero pedido, a situação de produção e os interlocutores previstos na proposta.
Depois, a orientação prática é selecionar quais informações dos textos da prova ajudam a cumprir a tarefa e organizar a sequência das ideias. Na revisão, vale conferir se o texto realizou as ações pedidas, manteve as características do gênero, utilizou os textos da prova de forma pertinente e evitou cópias ou paráfrases em excesso.
Pelas diretrizes da Comvest, a redação será anulada com nota zero se abordar tema diferente, não cumprir a proposta temática e o gênero textual solicitado, ou se prevalecerem cópias do enunciado ou dos textos da prova.