Missão do Templo Orbital leva Uai Labs e Ouro Hub à operação espacial da SpaceX

A missão do Templo Orbital conecta Ouro Branco, em Minas Gerais, a uma operação espacial da SpaceX nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026. A Uai Labs, startup incubada no Ouro Hub, ambiente de inovação do IFMG Campus Ouro Branco, será responsável pela estação terrestre oficial que manterá a comunicação com o equipamento após sua entrada em órbita.

O Templo Orbital integra a missão Transporter-18, lançada por um foguete Falcon 9 a partir do Complexo de Lançamento Espacial 4E da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia. A janela de lançamento começa às 15h18 no horário de Brasília. Há uma oportunidade reserva para sexta-feira, 2 de outubro, no mesmo horário.

A participação da Uai Labs coloca o ecossistema de inovação de Ouro Branco em uma etapa central da missão. Depois do lançamento, a operação passa a depender da infraestrutura instalada no município mineiro para transmitir ao equipamento em órbita os dados cadastrados pelo público na plataforma digital do projeto.

Uai Labs opera a comunicação entre a Terra e o Templo Orbital

A função da Uai Labs começa de forma mais decisiva quando o equipamento estiver em órbita. A empresa será responsável pela estação terrestre oficial da missão, instalada em Ouro Branco, por meio da qual serão realizadas as comunicações necessárias com o Templo Orbital.

É por essa estrutura que serão enviados os dados registrados pelos participantes da obra. Pessoas de diferentes partes do mundo podem cadastrar nomes na plataforma digital do projeto, e essas informações serão transmitidas quando houver oportunidade adequada de comunicação com o equipamento em órbita.

Na prática, a operação envolve uma cadeia tecnológica que passa por servidores em solo, sistemas de comunicação, antenas e ondas de rádio até chegar à memória do equipamento espacial. O procedimento deverá ocorrer de forma automatizada, com confirmação do recebimento das informações.

A Uai Labs atua no desenvolvimento de tecnologias para o setor espacial, incluindo estações terrestres para controle, rastreamento e telemetria de satélites, sistemas espaciais e análise de dados provenientes do espaço. A empresa também trabalha com soluções envolvendo satélites equipados com inteligência artificial e tecnologias capazes de realizar processamento e tomada de decisões em órbita.

Ouro Hub e IFMG Campus Ouro Branco entram na operação

A presença da startup na missão também evidencia o papel do Ouro Hub, ambiente de inovação vinculado ao IFMG Campus Ouro Branco. O espaço foi concebido para aproximar formação acadêmica, empreendedorismo, prototipagem e desenvolvimento de soluções tecnológicas.

O Ouro Hub atua com pré-incubação e incubação de negócios, integração com empresas, atividades de experimentação e apoio a novos projetos. Entre seus objetivos estão o estímulo à inovação e ao empreendedorismo em pequenas cidades do interior e a descentralização dessas atividades.

Dentro desse modelo, a participação da Uai Labs em uma missão espacial coloca uma empresa incubada em uma instituição pública de ensino do interior de Minas Gerais em uma função operacional ligada a um projeto lançado pela SpaceX. A operação permanece vinculada a Ouro Branco mesmo após a decolagem do Falcon 9.

O ambiente integra a Rede de Incubadoras Arquipélago do IFMG, iniciativa voltada ao fortalecimento de ambientes de inovação e ecossistemas locais, com apoio a empreendedores, estudantes, servidores e comunidades no desenvolvimento de novos negócios.

O que é o Templo Orbital

Criado pelo artista e tecnologista brasileiro Edson Pavoni, o Templo Orbital combina tecnologia espacial, memória e diferentes concepções culturais sobre o céu. O projeto parte da pergunta “Quem pode entrar no céu?” e utiliza um equipamento em órbita como parte de uma experiência artística que permanecerá ativa por vários anos.

O sistema tem três componentes principais:

  • o equipamento enviado ao espaço;

  • a infraestrutura terrestre de comunicação;

  • a plataforma digital para cadastro de nomes.

A participação é gratuita. A proposta destaca a possibilidade de registrar o nome de alguém que morreu, transformando o satélite em um memorial coletivo em órbita.

Os nomes não precisam estar gravados antes do lançamento. Depois que o equipamento estiver em funcionamento, novos registros poderão continuar sendo cadastrados e transmitidos a partir da estação terrestre operada pela Uai Labs em Ouro Branco. A expectativa é que o sistema permaneça em operação por aproximadamente quatro anos.

Trajetória da Uai Labs no projeto começou antes da startup

A relação da Uai Labs com o Templo Orbital começou antes da formalização da empresa. João Pedro Polito, cofundador e CEO da startup, é formado em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Federal de São João del-Rei e desenvolveu parte de sua trajetória acadêmica em tecnologias relacionadas a pequenos satélites e sistemas de comunicação espacial.

Durante a graduação, Polito participou de atividades com nanosatélites e desenvolveu pesquisa relacionada a uma estação terrestre voltada ao rastreamento e monitoramento de pequenos satélites e balões estratosféricos.

Sua participação no Templo Orbital também começou em 2022. Ao lado de Edson Pavoni, de Pedro Kaled e de outros integrantes da equipe, ele atuou em etapas como desenvolvimento de hardware, montagem, integração e testes do equipamento.

Com a criação da Uai Labs e sua incubação no Ouro Hub, essa participação passou a incluir a atuação empresarial e operacional na missão, com responsabilidade direta pela estação terrestre oficial.

Missão Transporter-18 leva 130 cargas ao espaço

A missão Transporter-18 faz parte do programa de lançamentos compartilhados da SpaceX, que reúne diferentes clientes em um mesmo foguete para colocar pequenos equipamentos em órbita. Nesta operação, o Falcon 9 transporta 130 cargas, entre CubeSats, microssatélites, cargas hospedadas, veículos com sistemas de reentrada e veículos de transferência orbital.

O Templo Orbital foi integrado à missão por meio da empresa UARX Space, no veículo OSSIE, que será transportado no lançamento da SpaceX.

A empresa também pretende recuperar o primeiro estágio do Falcon 9, que deverá pousar na Landing Zone 4, em Vandenberg. Este será o 25º voo do propulsor utilizado na missão.

Segundo os dados informados pela SpaceX, o programa de rideshare da empresa já levou mais de 1.800 cargas ao espaço.

Nova tentativa após falha em janeiro

O lançamento desta quinta-feira representa uma nova oportunidade para o projeto. Em 12 de janeiro de 2026, o Templo Orbital integrava as cargas do foguete indiano PSLV-C62, mas uma anomalia durante o terceiro estágio provocou um desvio de trajetória e impediu que as cargas chegassem às órbitas planejadas.

Agora, pouco mais de oito meses depois, o projeto retorna a uma plataforma de lançamento na missão Transporter-18, desta vez a bordo de um Falcon 9 da SpaceX.

A nova tentativa reforça que o lançamento é apenas uma das etapas de uma missão espacial. Depois da colocação em órbita, é necessário estabelecer comunicação, acompanhar a operação e manter a infraestrutura terrestre responsável pelo contato com o equipamento.

É nessa fase que a estação instalada em Ouro Branco passa a ter papel central para o funcionamento do Templo Orbital.

IFMG Campus Ouro Branco reúne formação e inovação

A presença do Ouro Hub no IFMG Campus Ouro Branco aproxima o ambiente de inovação de estudantes de diferentes áreas. O campus oferece os cursos técnicos integrados em Administração, Informática e Metalurgia, além do curso técnico subsequente em Metalurgia.

Na graduação, mantém os cursos de Administração, Engenharia Metalúrgica, Pedagogia e Sistemas de Informação. A instituição também oferta a Especialização em Gestão de Negócios e o Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT).

Esse conjunto de formações ajuda a explicar a atuação do Ouro Hub em atividades de ensino, trabalho colaborativo, metodologias ativas, experimentação e desenvolvimento de protótipos. O espaço também recebe capacitações, eventos e ações de integração com o ecossistema regional.

Na missão do Templo Orbital, essa estrutura passa a ter ligação direta com uma operação espacial real: a comunicação com o equipamento em órbita será feita a partir da estação terrestre instalada em Ouro Branco, sob responsabilidade da Uai Labs.