Inep divulga orientações da Redação do Enem 2026 com foco em competências e correção
O Inep divulgou a Cartilha da Redação do Enem com orientações para os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio de 2026. O material detalha o formato do texto dissertativo-argumentativo, as cinco competências avaliadas, o processo de correção, os critérios de nota zero e o uso do repertório sociocultural.
A redação do Enem continua valendo até 1.000 pontos, com até 200 pontos em cada competência. A prova exige texto em prosa, na modalidade formal da língua portuguesa, com ponto de vista, argumentos consistentes e proposta de intervenção relacionada ao problema apresentado. O exame será aplicado em 8 e 15 de novembro.
Entre os pontos destacados pela cartilha estão alertas contra repertórios decorados, argumentos genéricos, conectivos artificiais e propostas vagas. O documento também explica regras, correção, competências avaliadas e situações que podem levar à anulação do texto.
Como deve ser a redação do Enem 2026
O tema poderá tratar de questão social, científica, cultural ou política. O participante deverá compreender o recorte temático e construir uma argumentação diretamente ligada ao problema proposto.
A cartilha orienta que não basta reunir informações sobre o assunto. O candidato precisa apresentar tese clara, selecionar argumentos adequados e organizar as ideias de forma coerente, com introdução, desenvolvimento e fechamento articulados.
A proposta de intervenção social é obrigatória. Ela deve enfrentar o problema discutido no texto, trazer elementos concretos e respeitar os direitos humanos.
Como funciona a correção da redação
A redação será corrigida inicialmente por pelo menos dois avaliadores graduados em Letras ou Linguística. A correção é independente, sem que um corretor saiba a nota atribuída pelo outro.
Cada avaliador pode conceder de zero a 200 pontos em cada competência. A nota final corresponde à média aritmética das duas notas totais.
Há discrepância quando a diferença for superior a 100 pontos na nota total ou superior a 80 pontos em qualquer competência. Nesses casos, a redação passa por uma terceira correção independente.
Se a discrepância permanecer após a terceira avaliação, uma banca com três avaliadores analisará o texto e estabelecerá a nota final.

Quais são as cinco competências avaliadas
A Competência I avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, incluindo ortografia, acentuação, pontuação, concordância, regência, crase, escolha vocabular e construção sintática.
A Competência II verifica a compreensão da proposta, o desenvolvimento do tema e o respeito à estrutura do texto dissertativo-argumentativo. Também considera o uso do repertório sociocultural.
A Competência III analisa a seleção, a organização e o desenvolvimento de informações, fatos, opiniões e argumentos, além da defesa clara de um ponto de vista.
A Competência IV observa os mecanismos linguísticos que conectam as partes da redação, como pronomes, advérbios, sinônimos e operadores argumentativos.
A Competência V avalia a proposta de intervenção, que precisa se relacionar ao tema, responder aos problemas apresentados e respeitar os direitos humanos.
Repertório sociocultural e projeto de texto
A cartilha dedica atenção ao chamado repertório de bolso, expressão usada para identificar referências prontas, memorizadas e usadas de forma automática em temas diferentes. O problema, segundo o material, não está na escolha da referência, mas na falta de conexão efetiva com o argumento.
O candidato pode mencionar filósofos, escritores, filmes, leis, acontecimentos históricos, músicas, documentários, pesquisas, notícias e conhecimentos escolares, desde que a referência seja legitimada, pertinente e produtiva. Uma referência simples, mas bem explicada, pode contribuir mais do que uma citação complexa usada de forma genérica.
O Inep também relaciona a qualidade da argumentação ao projeto de texto, que envolve planejar a tese, selecionar argumentos e definir a melhor ordem das ideias antes de escrever. A organização do raciocínio é um dos pontos observados na Competência III.
Coesão e proposta de intervenção
Sobre a coesão, a cartilha afirma que usar muitos conectivos não garante bom desempenho. Expressões inseridas de maneira artificial ou excessiva podem deixar o texto mecânico e prejudicar a compreensão.
Também devem ser evitadas ausência de paragrafação, repetição excessiva de palavras e uso de pronomes sem referentes claros. Para articular melhor o texto, o participante pode recorrer a sinônimos, pronomes, advérbios e expressões resumitivas.
Na proposta de intervenção, o candidato deve apresentar ação concreta. A cartilha informa que uma proposta completa pode reunir cinco elementos: ação, agente, meio de execução, efeito e detalhamento.
Além disso, a medida não pode defender tortura, mutilação, execução sumária, violência, justiça com as próprias mãos, preconceito ou discurso de ódio contra grupos sociais. O desrespeito aos direitos humanos leva a zero na Competência V, sem significar automaticamente nota zero na redação inteira.
Situações que podem zerar a redação
Receberá nota zero a redação com fuga total ao tema, desobediência ao tipo dissertativo-argumentativo ou texto em branco. Também pode ser anulada a redação ilegível que não possa ser lida por dois avaliadores independentes.
Será classificado como texto insuficiente o texto com até sete linhas manuscritas. Para textos escritos no sistema Braille, o limite é de até dez linhas.
Impropérios, desenhos, sinais de anulação, partes deliberadamente desconectadas do tema, bilhetes para corretores, orações e mensagens de protesto desarticuladas da argumentação também podem zerar a prova. Nome, assinatura, rubrica ou qualquer identificação fora do espaço destinado a essa finalidade também levam à anulação.
Texto predominantemente ou integralmente em língua estrangeira recebe nota zero.
Cópias, tangenciamento e título
Trechos copiados da Prova de Redação ou do Caderno de Questões são desconsiderados na avaliação e na contagem do número mínimo de linhas. Os textos motivadores podem ajudar na compreensão da proposta, mas o candidato precisa apresentar conteúdo próprio.
A cartilha diferencia fuga total ao tema de tangenciamento. Na fuga total, a redação não aborda nem o assunto mais amplo e recebe nota zero. No tangenciamento, o participante trata apenas de parte do recorte temático; nesse caso, o texto pode receber no máximo 40 pontos na Competência II, com reflexos também nas competências III e V.
O título é opcional. Ele conta como uma linha escrita, não recebe pontuação específica e não é avaliado em nenhuma das cinco competências. Não há perda de pontos pela ausência de título.
Exemplos de redações do Enem 2025
A Cartilha da Redação do Enem 2026 traz redações bem avaliadas na edição de 2025, escritas por estudantes das cinco regiões do país. O tema daquele ano foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.
Os comentários destacam a construção da tese, o desenvolvimento dos argumentos, o uso de recursos coesivos, o emprego produtivo do repertório sociocultural e propostas de intervenção relacionadas ao problema e comprometidas com os direitos humanos.
Para os candidatos, a cartilha também reforça que redações com até sete linhas manuscritas são classificadas como texto insuficiente.
