Projeto da Unicamp no Bassoli busca novo modelo urbano para as periferias

Projeto da Unicamp no Bassoli busca novo modelo urbano para as periferias

O Jardim Bassoli, localizado no distrito do Campo Grande, em Campinas, é o foco de um projeto inovador que visa transformar a infraestrutura urbana e social da região. Liderado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Unicamp (Fecfau), o projeto tem como objetivo principal criar diretrizes estratégicas que possam ser replicadas em outras áreas vulneráveis da cidade. A iniciativa já obteve conquistas significativas, como a confirmação da construção de uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) no bairro, atendendo a uma antiga demanda dos moradores.

Cooperação e Investimento

O projeto é fruto de um Termo de Cooperação entre a Unicamp e a Prefeitura de Campinas, que visa integrar os conhecimentos acadêmicos com as necessidades locais. A Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Campinas está encarregada de estruturar o Plano de Bairro, que está em fase inicial e planeja aplicar intervenções intersetoriais em outras regiões que necessitam de desenvolvimento urbano.

O Grupo Institucional do Poder Público (GIPP), formalizado pelo decreto 23.235/2024, está atuando no Jardim Bassoli desde o final de 2023 e definiu três eixos principais para a expansão do modelo: fortalecimento comunitário, desenvolvimento físico-territorial e segurança das edificações. O objetivo é transformar ideias acadêmicas em investimentos práticos, melhorando as condições de lazer, serviços e infraestrutura no bairro.

Participação e Metodologia Inovadora

Uma das características mais inovadoras do projeto é sua metodologia participativa, que envolve diretamente a comunidade local. Em oficinas realizadas no Progen, organização da sociedade civil que atua há quase 12 anos no Jardim Bassoli, cerca de 45 crianças e adolescentes participaram do diagnóstico da área. Sob a orientação das professoras Fabrícia Zulin e Silvia Mikami, os jovens mapearam percepções e inseguranças locais, utilizando a abordagem conhecida como Territórios do Conhecimento de Quarta Geração.

“Essa metodologia é fundamental para reconhecer o conhecimento das crianças como um elemento central de inovação territorial”, destaca a professora Matluba Khan, da Universidade de Cardiff, que desenvolveu a abordagem. O Progen tem sido um elo vital entre a academia e a comunidade, participando ativamente das discussões e clamando por políticas de direito que atendam às demandas locais.

O projeto também prevê intervenções físicas, como a criação de áreas específicas para o comércio local e a construção de uma passarela que conectará o Jardim Bassoli a bairros vizinhos, rompendo o isolamento físico. Além disso, a proposta inclui a estruturação de áreas subutilizadas, promovendo a reconexão entre os moradores e a natureza.

Impactos e Próximos Passos

A implementação de uma unidade do CRAS no Jardim Bassoli é um dos principais impactos imediatos do projeto. Atualmente, os moradores precisam se deslocar até o Parque Floresta para atendimento no CRAS Laudelina de Campos Melo. Com a nova unidade, espera-se facilitar o acesso aos serviços de proteção social, consolidando um centro de serviços local próximo ao centro de saúde e à escola.

Além disso, o projeto busca enfrentar desafios recorrentes na área, como falhas nas escadas dos condomínios, falta de água e violência institucional. A reurbanização das quadras e a ampliação de áreas verdes são vistas como fundamentais para combater a sensação de insegurança e o isolamento.

Cronograma

  • Final de 2023: Início das atividades do Grupo Institucional do Poder Público (GIPP) no Jardim Bassoli.
  • 2024: Formalização do GIPP pelo decreto 23.235.
  • 2024: Início da construção da unidade do CRAS no Jardim Bassoli.
  • Próximos meses: Continuação do desenvolvimento do Plano de Bairro e das intervenções físicas e sociais no Jardim Bassoli.

O projeto da Unicamp no Jardim Bassoli representa um passo importante para a integração de conhecimentos acadêmicos e demandas comunitárias, buscando um modelo urbano mais inclusivo e sustentável para as periferias.

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